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Artigos PetsBr.com

Foto: law_keven

   

 

Artigo

Banco de Sangue Canino

M.V. Simone Gonçalves

M.V. Rafaela Kley Bognato

 Algum dia seu cão necessitou de uma transfusão de sangue? Vários donos enfrentam esta situação diariamente juntamente com os médicos veterinários e, infelizmente, muitos cães acabam vindo a óbito devido ao baixo estoque de bolsas de sangue ou diante da dificuldade de encontrar um cão doador em tempo hábil em situação de emergência.

      doadora cão dog

Foto: Shytara, doadora

Cada dia aumenta mais a necessidade de transfusão sanguínea em cães por uma série de razões dentre elas cirurgias, acidentes, doenças infecciosas que causam anemias (principalmente Babesiose e Erliquiose que são as enfermidades transmitidas pelo carrapato), tumores, dentre outras.

Porém, a demanda é maior que a oferta, pois temos uma série de limitações em relação ao número restrito de doadores semelhante ao que ocorre na Medicina Humana.

A Medicina Transfusinonal que engloba a hemoterapia, ou seja, a terapia com componentes sanguíneos é uma especialidade muito recente na veterinária porém praticada de forma não criteriosa há muitos anos pois sempre houve a necessidade de transfusão de sangue em várias circunstâncias clínicas.

A transfusão de sangue é considerada a forma mais simples de um transplante sendo assim requer muitos cuidados durante todo o seu processamento e armazenamento afim de não piorar a condição clínica do paciente que o necessita.

Nos últimos anos, se intensificou os estudos nesta área afim de disponibilizar os componentes sanguíneos de uma forma mais adequada através da implantação de bancos de sangue com controle de qualidade semelhante ao dos seres humanos, ou seja, com uma estocagem adequada, minimizando a transmissão de doenças infecciosas e reações adversas durante a transfusão sanguínea.

 

SELEÇÃO DOS DOADORES

 

Assim como na Medicina, a doação de sangue é um procedimento seguro, isento de riscos desde que sejam obedecidos alguns critérios.

Os cães devem ser adultos saudáveis com idade de 1 a 8 anos, peso mínimo de 27 kg, dóceis, com vacinação e vermifugação atualizadas, controlados para pulgas e carrapatos.

Antes da doação, realiza-se uma série de exames laboratoriais incluindo:

·        Hemograma: caracterizado por um perfil sanguíneo geral para detecção de anemias e infecções muitas delas sem sintomas.

 

·        Erliquiose (Ehrlichia canis): doença transmitida pelo carrapato em que o cão pode permanecer sem sintomas até 5 anos. As manifestações clínicas mais comuns são: falta de apetite, apatia, fraqueza causada pela anemia, sangramento pelo corpo ocasionado pela diminuição de plaquetas e febre.

·        Dirofilariose (Dirofilaria immitis): verme que se instala no coração do cachorro. Geralmente, evolui para uma cardiopatia após alguns anos com manifestações clínicas de tosse, dificuldade para respirar e cansaço fácil.

·        Doença de Lyme (Borrelia burgdorferi): doença transmitida pelo carrapato caracterizada por inflamação das articulações (artrite) e febre.

·        Brucelose (Brucella canis): enfermidade transmitida principalmente pelo acasalamento. O cão pode não apresentar sintomas ou manifestar alterações como abortos, febre e inflamação dos testículos e discos da coluna vertebral.

·        Leishmaniose (Leishmania sp): doença infecciosa transmitida por um mosquito (gênero Lutzomyia) sendo o cão portador da doença tornando-se fonte de infecção para outras espécies. Pode permanecer sem sintomas ou apresentar as seguintes alterações clínicas: emagrecimento progressivo, descamação excessiva da pele, crescimento exagerado das unhas, úlceras, diminuição do apetite, órgãos como baço e fígado aumentados de tamanho.

 

Com exceção da Erliquiose, todas as doenças citadas acima são consideradas zoonoses, ou seja, são enfermidades transmitidas do animal para o homem.

           Estarão aptos à doação os animais que não forem constatados nenhuma alteração laboratorial. Desse modo, o dono terá um acompanhamento físico e laboratorial periódico de seu cão e caso haja a detecção de alguma anormalidade poderá ser instituído o tratamento de forma precoce antes mesmo das manifestações clínicas que contribuem para a debilidade do seu estado geral comprometendo uma recuperação mais rápida.

A coleta é realizada, após desinfecção local, pela punção da veia cefálica (veia do membro dianteiro) ou pela jugular (veia do pescoço). O tempo de coleta gira em torno de 5 a 15 minutos dependendo da veia de acesso sendo mais rápida no caso da jugular. Raramente realiza-se a sedação procurando deixar o animal na posição mais confortável possível.  

 PERGUNTAS FREQUENTES

  

  1. Cães e gatos têm tipos sanguíneos?

 

Sim. Os cães apresentam em torno de 13 tipos sanguíneos que são classificados em 1.1, 1.2, 3, 4, 5, 6, 7 e assim por diante. Dentre estes, os mais importantes são os tipos 1.1, 1.2 e 7. Os gatos apresentam 3 tipos sanguíneos que são, de certa forma, semelhantes com a classificação dos seres humanos: A, B e AB.

 

  1. Cães podem doar sangue para gatos e vice versa?

 

De forma alguma. Conforme explicado na resposta anterior os tipos sanguíneos entre as duas espécies são bastante distintos. Desta forma, a realização da transfusão nestas circunstâncias pode levar a uma reação transfusional fatal levando o animal à morte ou não atingir o efeito desejado pois o organismo irá destruir todas as células transfundidas. A transfusão sanguínea sempre deve ser realizada entre animais da mesma espécie, ou seja, de cães para cães e gatos para gatos.

 

 3.      Qual o volume de sangue que um cão pode doar?

 

Um cão pode doar 20 mL de sangue por kg sem que haja qualquer comprometimento de seu organismo. Por exemplo, um cão de 30 kg pode doar 600 mL de sangue  entretanto a quantidade de sangue que geralmente o animal doa é inferior a esta correspondendo a aproximadamente 450 mL, ou seja, 150 mL de sangue a menos em relação à quantidade que ele poderia doar. Isso faz com que o procedimento seja mais seguro ainda para o doador.

 

  1. O cão pode passar mal após a doação de sangue?

 

É extremamente raro um cão passar mal após a doação de sangue desde que sejam obedecidos os critérios citados acima. Além disso, os exames no doador são realizados previamente para certificação de que este cão realmente está apto a doar sangue.

 

  1. Quais os cuidados que devem ser tomados para este tipo de processo?

 

Os cuidados são inúmeros que vão desde a escolha e coleta do sangue do doador até a realização da transfusão no paciente que está necessitando pois o sangue é um meio rico que propicia, com facilidade, a instalação de bactérias. Primeiro realiza-se uma seleção rigorosa dos doadores através de exame físico e laboratorial. Posteriormente, realiza-se a coleta do sangue em bolsas iguais a de seres humanos com adequada desinfecção do local em que será realizada a punção da veia. Depois disso, a bolsa de sangue é encaminhada para processamento separando os seus componentes que são armazenados de forma adequada até a necessidade de utilização.

Antes da transfusão realiza-se um teste para verificar se o sangue do doador é compatível com o do animal que irá recebê-lo. Durante todo o procedimento, que tem duração de aproximadamente 3 a 4 horas, este paciente é monitorado pois há chance de ocorrência de reações transfusionais que necessitam de intervenção terapêutica o mais rápido possível a fim de não comprometer ainda mais o seu estado geral.

 

  1. Se um dia meu cão necessitar de uma transfusão, é fácil conseguir sangue?

 

Infelizmente não. Assim como em seres humanos, o número de cães que necessitam de transfusão é muito superior aos estoques de bolsas de sangue disponíveis. Os bancos de sangue veterinários surgiram para amenizar este problema e facilitar o atendimento veterinário diante de casos emergenciais, porém a limitação ainda está no número de doadores que é muito reduzido diferente de outros países em que a doação voluntária já faz parte da cultura.

 

SEU CÃO PODE SE TORNAR UM DOADOR E SALVAR VIDAS...  NÃO EXISTE OUTRA FORMA DE OBTENÇÃO DESTE ELEMENTO ESSENCIAL E DECISIVO EM MUITAS SITUAÇÕES EMERGENCIAIS

 

Se você tiver interesse que seu animal seja doador se sangue, entre em contato para maiores informações:

Hemovet – laboratório e centro de hemoterapia veterinária

F. (11) 6918-8050

www.hemovet.com.br

hemovet@hemovet.com.br

 

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